sexta-feira, 28 de maio de 2010

escapismo romântico

Faz de conta que dava pra conciliar a alegria da criança com a firmeza do adulto em um único ser do agora. Faz de conta que tudo que fosse incorporado não precisasse da dor para se fazer existir por dentro.
Faz de conta que os desafios existissem, mas como num jogo de baralho, as conseqüências teriam sempre resultados pacíficos, com a perda ou com o ganho.
Faz de conta que as almas pudessem ser livres para sonhar e amar e que o amor não doesse em ninguém, e que a compreensão existisse e que não pudéssemos magoar ninguém com nosso amor.
Faz de conta que fossemos todos irmãos, e que tivéssemos sempre vibrações positivas e que houvesse um Deus que nos amasse e que fosse mesmo o nosso pai e que nos fizesse sentir mais seguros.
Faz de conta que o paraíso existisse e fosse agora, e que tivesse uma cachoeira do lado do mar e um tempo de chuva do lado do tempo de sol e que nevasse também.
Faz de conta que cada nova manhã indicasse um novo motivo, e que sempre existissem paixões e excitações e objetivos e sonhos. E que sentíssemos muita vida em nossas veias, vida que se renova com a mesma facilidade com que o dia sempre se levanta, apesar de às vezes nublado e cinza. E que nós também nos renovássemos a cada manhã apesar de, às vezes, nublados e cinzas.
Faz de conta que a juventude fosse eterna e bela, que apenas crescesse na grandeza e na sabedoria. Que nossas almas não corroessem e nossos corpos não definhassem e que pensássemos que tem sempre tanta coisa nova para desvendar e para viver e para sentir e por isso a morte não vale a pena, não faz sentido, e não pode existir. E faz de conta que a vida valesse mesmo a pena para que realmente a morte não existisse mais.
Faz de conta que nunca mais existisse pessoas de corpo vivo e de alma morta.

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