Precisava aquecer algo
abracei a areia, quanta areia pude
a areia não ficou quente, nem eu fria.
O que se faz com essa diferença ontológica?
E havia tanto para se doar.
andei por aquela areia mais escura, porém sua fineza me alegrava.
fazia sol, céu aberto. Mas o calor só conseguia aquecer a superfície da areia.
descalça, tentava alcaçar apenas a superfície quente, porém o contato com o submerso lado frio era inevitável por conta do meu peso existencial.
O superficial é mais quentinho.
O vento matutino cortava o rosto.
É mais fácil não aquecer todos os lados, deixemos o que é profundo frio e anestesiado.
Mas, e como parar meu navio num porto se minha alma é oceânica?
E como não doer com a imensidão sem consolo, sem cais?
Onde caibo?
O que se faz quando não se cabe?
quarta-feira, 19 de maio de 2010
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