terça-feira, 11 de maio de 2010

Te amo porque és carne
Não amo sem matéria
Só amo nos teus beijos
Só morro nos teus braços
Só nasço porque és veia viva visível
Só tenho essência porque há Natureza
Fagócito a Terra, regurgito a vida

Meu amor só existe porque tu existes
Meu amor só existe porque tu existes em mim
Eu faço-te existir em mim

Se só há arte se há antes matéria-prima
Se só sinto porque antes existo
Se só te amo porque antes existes
Como poderia te amar sem cores, sem formas, sem sons, sem cheiros?

A essência de meu amor sou eu
Tu és apenas a necessidade existente
Que utilizo para dar realidade à minha matéria amorfa
Passo-te pelo crivo de minha interioridade
Te desenho, te pinto, te invento
E libero essa arte que chamamos amor
Libero ao mundo
Libero na palavra
Nos arrepios
Nos gozos
Nos beijos

Este amor é antes e sempre meu
Eu te amo porque amo
Tenho que amar
E tenho que amar na referência
Eu te amo porque te colocastes perante minha vista
Porque altruísta e ingenuamente
Doou teu corpo a minha vontade de alma
Te amo porque quero amar
E só amo se existir um pretexto

Teu ser dentro de mim é meu
Transformo sua aparência em essência
Tu só existes em ti mesmo
Antes de mim
No meu contato afetivo
Tu és eu

Tu és o meu pretexto doce
Eu te faço doce
Tu me amas porque sou doce
Tu me fazes doce
Resolvemos nos encontrar no amor
Te ensinei a me amar
Para que eu pudesse
Expressar concretamente o meu eu

Te ensinei a me amar
Da minha forma
Cego, bobo
Te ensinei a me ver como objeto teu

Não te dou o meu amor
Antes tiro o amor de ti
Meu amor, dou ao mundo, dou a mim
Se ficas feliz porque te utilizo
Sorte a minha
Se te sentes importante porque
és minha inspiração
sorte a minha

só te sugo, meu bem
só te quero enquanto matéria
só te quero na presença
no pensamento fixo

não há como te amar mais
por hora
mas há como te amar ainda
se continuares por perto

Se ultrapassares o horizonte
não volte
se desatares meus laços
desate-me
estarei sempre no encontro de plenitudes
e minhas plenitudes se fazem na presença
constante

preciso do mundo
nada nasce sem o contato dos sentidos
a arte de amar precisa de barro
não poderia modelar um mundo
se antes não existisse o mundo

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