terça-feira, 11 de maio de 2010

virgem de segundo grau

A vida está virgem e cautelosa
Virgem e frigida
Tudo está trancado

É inverno sem válvula de escape
A vida atura o frio acreditando que
do excesso de zelo
Mais brotos nascerão na primavera
A morte é o passaporte para que tudo se recrie

Longe da maturidade
Virgem de corpo, virgem de alma
Intocável
Não é a hora
Faz frio!

Virgem de mármore,
A esperança é o calor (?)
Até o mármore se molda com o calor do tempo
O tempo está perdido

Tijolo de mármore
Quatro quadrados lados
Mas há poros
Sempre há tempo
Até para o mármore
Em quarentena

Os estupros virginificam
Não fazem escorrer fel e sangue
Rasga-se a carne e enrijece-se a alma

O caminho do resguardo começa no estupro
O caminho da morte começa na vida

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