domingo, 18 de dezembro de 2011

Exorcizo esse ardor com a respiração branda, acalmando o pulsar intenso para ver se a alma acompanha o mesmo domínio que imponho ao meu corpo. Reorganizo racionalmente meus pensamentos, tentando fugir das fantasias e ilusões que alimentariam ainda mais a chama. Me imponho paciência, contenho as vontades súbitas, não ajo através de nenhuma das minhas ideias lindas e formadas em 5 segundos. Não me vendo a esses mundos açucarados formados com prolongamentos do pouco que existiu de toque, de cheiro, de contato. Mundos formados no depois, onde não existe você, só eu, minhas ideias e minha cama. Digo para mim mesma que me envolvi comigo mesma, com minha mente que adora transformar realidade em filme, em cena, que quer inventar estórias para enriquecer a vida; me envolvi foi com minhas próprias ilusões, com esse outro ser criado pela minha mente e não realmente com o que você é. Nem te conheço. Quase nada. Não muito. É assim que me livro, me dispo, me lavo de ti. Esfrego pra fora, limpo até embaixo das unhas. Tiro os rastros.
..............Como se fosse possível eliminar a rubéola com um banho de esfregão, como se fosse possível retirar com as pontas dos dedos o vírus que corre no sangue............
Mas faço repouso enquanto estou enferma de ti.

domingo, 7 de agosto de 2011

escolho o silêncio porque tenho medo de alimentar essas terras que de tão ferteis fazem crescer uma floresta só com uma gota de saliva.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

sinto como se minha alma estivesse de sutian e calça jeans

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Já pensou

Já pensou, aqui a gente construía nosso castelo de barro e pedras,decorava com cristal e grão de café. Colocava uma bandeira no topo que dizia o nosso reinado. a gente fazia uma passagem subterrânea que levava até o nosso esconderijo onde estavam as coisas que só nós sabíamos. fazíamos um buraco do lado do castelo e colocávamos água limpa para os peixes e uma ponte pra ficar mais bonito de se ver. daria pra plantar rosas em volta e a gente usaria as que fossem morrendo para fazer perfumes e cada perfume seria único, porque a gente misturava com um pouco de terra e mato e um pouco de florzinha amarela do campo e nunca saberíamos como fazer a mesma receita do mesmo jeito de novo. E a gente vendia numa tenda de bambu na frente do castelo, junto com cristais que a gente pegou na cachoeira e seriamos ricos! daria pra comprar casas e terras e um monte de cavalos para todas as crianças que iriam morar nas nossas casas e terras. quando o dia estivesse chato a gente andaria de avião, cada roda de carvão desenhada no chão seria um assento, se precisava a gente colocava mais um pros amigos que podiam querer vir junto. E a gente viajava admirando as paisagens, conhecíamos todos os países, os reais e os inventados. Mas quando a gente queria chegar rápido mesmo e não estava preocupado em admirar o mundo a gente ia de bicicleta mesmo.
Já pensou, a gente nos dias de festas, se vestia de bicho, inventava histórias, contava das nossas viagens no palco e chamava a vizinhança pra assistir nossas danças. As caixas do quintal eram boas pro palco, a gente pintava de azul. E pegava as fitas de música do pai, ensaiava uma semana, criava árvores de papelão daquelas que a gente só viu no Japão, a gente podia também usar a tinta preta pra puxar os olhos e também a vermelha pra vestir de índio.

(inacabado)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

the laugh of the centuries

She didn´t bother to paint the lips or cheeks, but her eyes had to be black. Two black lines, long eyelashes, expression. Deep brown eyes. Eyes of complaint and disdain. coldly angry. half-closed eyes that stared at everything as if it were too obvious, boring, worthless. Nothing moves these eyes, but they mobilize everything.
There was no smile, just a grudge, a grudge that carried throughout the centuries the women's oppression. But she wasn’t seeking revenge, at least not explicitly, she didn’t mobilize herself to convince the masses, join groups or create revolutions. No longer believed in change, warm blood flowed in her veins without the embers of idealism.
She wore the heavy high heel sandals, made to crush. And the weapon of that cold fight for a nameless war, without idealism, without words or company, was the dirty and common sense seduction.
The deep and obvious eyes, self-reliance, the freedom to walk without old fear of women, the high heels sandals, the value that came from the streets, came from the misfit, the repugnance of the system. And the position taken was the only one that remained, the position of who don’t give up just because simply does not fit, but she shut up with the mouth. She speaks with the overwhelming sandal and with the sight of the witch, she plays a dirty game what the result is several symbolic spitting.
And seeing those washed faces become vassals, she smiles internally the laugh of the centuries.

a risada dos séculos

Não se preocupava em pintar os lábios ou as maçãs do rosto, mas os olhos tinham que ser negros, duas linhas negras, cílios longos, expressão. Olhos castanhos profundos. Olhos de denúncia e desdenho. frieza colérica. olhos semi-cerrados que fitavam tudo como se fosse muito óbvio, sem graça, sem valor. Nada os mobiliza, mas eles mobilizam tudo.
Não havia sorriso no rosto, apenas rancor, um rancor de séculos que carregava toda a opressão feminina. Mas não procurava vingança, pelo menos não a vingança explícita, não mobilizava-se para convencer massas, fazer parte de grupos, criar revoluções. Já não acreditava em mudanças, corria sangue morno nas veias sem a brasa do idealismo.
Vestia as sandálias altas, pesadas, feitas para esmagar e a arma daquela luta fria, por uma guerra sem nome, sem idealismos, sem palavras e sem companhia era a baixa e manjada sedução.
Os olhos profundos e óbvios, a auto-suficiência, a liberdade de caminhar sem medos antigos de mulher, as sandálias, o valor que vinha das ruas, que vinha do desenquadramento, da repugnância do sistema. E a posição assumida era a única que restava, a de quem não entrega os pontos só porque simplesmente não cabe, mas se cala com a boca. Fala-se com a sandália esmagadora e os olhos de bruxa, joga-se o jogo sujo que o resultado são várias cusparadas simbólicas.
E ao ver as faces lavadas virarem súditos, sorri internamente a risada dos séculos.
Desta vez nem tanto choro, nem dó de mim, nem desespero ou arrependimentos, nem mal dizeres, energia para vingança, começar tudo de novo, nem muito álcool ou grandes desabafos, não muita sensação de suicídio estrangulada na própria goela pelo dado e não recebido. Não divisão de papéis. explicações filosóficas ou psicológicas, não torturas ou grandes saudades, saudosismo de um presente que acaba de se tornar passado. Não consolo, não acalmar o coração e a mente dizendo as injustiças alheias, a falta de amor e a frieza egoísta. Desta vez menos reações. Mas a cirurgia foi a mesma. É que agora sobrevivo melhor aos grandes rombos. Pra onde é que isso foi?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Não me peça para sentar, ocupar este espaço, me concentrar na folha, no computador para não desperdiçar um suposto talento. Não me venha com o discurso de que a prática traz a perfeição; não me peça disciplina, concentração, treino, força de vontade, trabalho, esforço. O trabalho, a rotina não irão lapidar o bruto, só o farão se perder. A beleza do bruto está em ser bruto, a beleza do selvagem está em ser selvagem; não ofereça mesas, computadores, intervalos de tempo em um vida que já se lapidou muito mais do que poderia. Não me diga para abrir horas de prática nos meus dias, não me imponha calendários, dead lines. A poesia não vem da prática, dos intervalos que eu poderia me arrumar entre um trabalho enfadonho e outro, ela não vem com a pressa, com os minutos contados, com a maquinação dos pensamentos, a poesia não se domestica, não a minha, antes disso ela morre, morre porque se perde a selvageria perde-se a essência, ou melhor, a pura existência, o próprio nome com sobrenome. se desfalece no ar. A poesia é a selvageria. A poesia tem força sim, sua, própria, carrega os pesos, mas não os da mecanicidade. Não me queira fazer pensar em públicos, em finalidades, em datas. Sou amadora, minha vida tem sido ser amadora em tudo, só não sou amadora no ato de libertar-me, nisso tenho sido veterana. Sou veterana em ser amadora. Me dou ao luxo de escrever lixo apenas pela liberdade. Porque preciso e sempre precisei e intento continuar precisando de vias de liberdade. . A rotina, o treino, a domesticação não fazem minha poesia, antes a matam.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Não tenho tempo de seguir dieta,
Pensar na organicidade do que ingiro.
Não sobra muito tempo pra comprar,
comer, andar, dormir.
Totalmente submetidos ao trabalho ditador.
Minha alma não sabe amar no ritmo do dispertador,
na maré da acidez estomacal, no mal humor alheio
que mesmo evitado contamina
Não dá tempo
tudo está submetido

segunda-feira, 7 de março de 2011

old letter

I hope you preserve the small light of child in your eyes, I could see it sometimes. hope it can get bigger. I hope you learn how to enjoy small things with bigger pleasure and dont allow the anesthesia, that is everywhere, take all your body, mind and heart. I hope you learn how to give yourself and see that it doesnt tear chuncks out of you, it just brings more humanity. Hope you can feel alive and not just drag your body in any path. Hope lights.
reduzir-me, aprendendo os métodos. explicar a matemática sem sentido desta língua baseada nas excessões.
seguindo a sensatez. Aquela mesma dos relógios, e são tantos relógios espalhados, tão adaptáveis, tão ordinários, soando o ritmo da constância. E todos morrem do coração, o coração que parou de velhice, da bateria que se dava de pouquinho em pouquinho pelos dias enfadonhos. Então, o que faço com o corpo sensato que só move os ponteiros maquinalmente abrindo espaços para os seus desejos?

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Deixe o amor morrer, mas deixe-o caminhar para isso em seu percurso natural.
Não o assassine, não o coloque em beiras de precipícios, não o empurre usando toda sua força porque ele é resistente. Não gaste energias para trucidá-lo e depois mais energias para se recuperar. O amor caminha para a morte, mas deixe-o seguir todos os passos até o dia do fim; deixe-o sentir as dores, tentar quimioterapias, transplantes, rezas. Deixe-o se realizar com as pequenas esperanças, repousar na mornidão do sangue que ainda corre dentro. Deixe-o seguir até que os olhos se fechem e que no fim tudo seja tristeza e paz. Não crie desesperos e dores com medo de estar perdendo tempo com uma coisa que se arrasta, não queira aliviar angustias achando que acabando logo com isso as coisas poderiam ser mais leves. A leveza não está nas escolhas racionais, nos direitos que nos damos de retirar vidas, a leveza vem do fluir e a morte pode muito bem fazer parte dela. Mas deixe-o ir aos pedaços, aos poucos, sem pensar. Deixe-o morrer em paz. Ir com Deus. Deixe-o, ele já vai, mas deixe-o.