terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Deixe o amor morrer, mas deixe-o caminhar para isso em seu percurso natural.
Não o assassine, não o coloque em beiras de precipícios, não o empurre usando toda sua força porque ele é resistente. Não gaste energias para trucidá-lo e depois mais energias para se recuperar. O amor caminha para a morte, mas deixe-o seguir todos os passos até o dia do fim; deixe-o sentir as dores, tentar quimioterapias, transplantes, rezas. Deixe-o se realizar com as pequenas esperanças, repousar na mornidão do sangue que ainda corre dentro. Deixe-o seguir até que os olhos se fechem e que no fim tudo seja tristeza e paz. Não crie desesperos e dores com medo de estar perdendo tempo com uma coisa que se arrasta, não queira aliviar angustias achando que acabando logo com isso as coisas poderiam ser mais leves. A leveza não está nas escolhas racionais, nos direitos que nos damos de retirar vidas, a leveza vem do fluir e a morte pode muito bem fazer parte dela. Mas deixe-o ir aos pedaços, aos poucos, sem pensar. Deixe-o morrer em paz. Ir com Deus. Deixe-o, ele já vai, mas deixe-o.

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