segunda-feira, 18 de abril de 2011
Não me peça para sentar, ocupar este espaço, me concentrar na folha, no computador para não desperdiçar um suposto talento. Não me venha com o discurso de que a prática traz a perfeição; não me peça disciplina, concentração, treino, força de vontade, trabalho, esforço. O trabalho, a rotina não irão lapidar o bruto, só o farão se perder. A beleza do bruto está em ser bruto, a beleza do selvagem está em ser selvagem; não ofereça mesas, computadores, intervalos de tempo em um vida que já se lapidou muito mais do que poderia. Não me diga para abrir horas de prática nos meus dias, não me imponha calendários, dead lines. A poesia não vem da prática, dos intervalos que eu poderia me arrumar entre um trabalho enfadonho e outro, ela não vem com a pressa, com os minutos contados, com a maquinação dos pensamentos, a poesia não se domestica, não a minha, antes disso ela morre, morre porque se perde a selvageria perde-se a essência, ou melhor, a pura existência, o próprio nome com sobrenome. se desfalece no ar. A poesia é a selvageria. A poesia tem força sim, sua, própria, carrega os pesos, mas não os da mecanicidade. Não me queira fazer pensar em públicos, em finalidades, em datas. Sou amadora, minha vida tem sido ser amadora em tudo, só não sou amadora no ato de libertar-me, nisso tenho sido veterana. Sou veterana em ser amadora. Me dou ao luxo de escrever lixo apenas pela liberdade. Porque preciso e sempre precisei e intento continuar precisando de vias de liberdade. . A rotina, o treino, a domesticação não fazem minha poesia, antes a matam.
Assinar:
Postagens (Atom)
