She didn´t bother to paint the lips or cheeks, but her eyes had to be black. Two black lines, long eyelashes, expression. Deep brown eyes. Eyes of complaint and disdain. coldly angry. half-closed eyes that stared at everything as if it were too obvious, boring, worthless. Nothing moves these eyes, but they mobilize everything.
There was no smile, just a grudge, a grudge that carried throughout the centuries the women's oppression. But she wasn’t seeking revenge, at least not explicitly, she didn’t mobilize herself to convince the masses, join groups or create revolutions. No longer believed in change, warm blood flowed in her veins without the embers of idealism.
She wore the heavy high heel sandals, made to crush. And the weapon of that cold fight for a nameless war, without idealism, without words or company, was the dirty and common sense seduction.
The deep and obvious eyes, self-reliance, the freedom to walk without old fear of women, the high heels sandals, the value that came from the streets, came from the misfit, the repugnance of the system. And the position taken was the only one that remained, the position of who don’t give up just because simply does not fit, but she shut up with the mouth. She speaks with the overwhelming sandal and with the sight of the witch, she plays a dirty game what the result is several symbolic spitting.
And seeing those washed faces become vassals, she smiles internally the laugh of the centuries.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
a risada dos séculos
Não se preocupava em pintar os lábios ou as maçãs do rosto, mas os olhos tinham que ser negros, duas linhas negras, cílios longos, expressão. Olhos castanhos profundos. Olhos de denúncia e desdenho. frieza colérica. olhos semi-cerrados que fitavam tudo como se fosse muito óbvio, sem graça, sem valor. Nada os mobiliza, mas eles mobilizam tudo.
Não havia sorriso no rosto, apenas rancor, um rancor de séculos que carregava toda a opressão feminina. Mas não procurava vingança, pelo menos não a vingança explícita, não mobilizava-se para convencer massas, fazer parte de grupos, criar revoluções. Já não acreditava em mudanças, corria sangue morno nas veias sem a brasa do idealismo.
Vestia as sandálias altas, pesadas, feitas para esmagar e a arma daquela luta fria, por uma guerra sem nome, sem idealismos, sem palavras e sem companhia era a baixa e manjada sedução.
Os olhos profundos e óbvios, a auto-suficiência, a liberdade de caminhar sem medos antigos de mulher, as sandálias, o valor que vinha das ruas, que vinha do desenquadramento, da repugnância do sistema. E a posição assumida era a única que restava, a de quem não entrega os pontos só porque simplesmente não cabe, mas se cala com a boca. Fala-se com a sandália esmagadora e os olhos de bruxa, joga-se o jogo sujo que o resultado são várias cusparadas simbólicas.
E ao ver as faces lavadas virarem súditos, sorri internamente a risada dos séculos.
Não havia sorriso no rosto, apenas rancor, um rancor de séculos que carregava toda a opressão feminina. Mas não procurava vingança, pelo menos não a vingança explícita, não mobilizava-se para convencer massas, fazer parte de grupos, criar revoluções. Já não acreditava em mudanças, corria sangue morno nas veias sem a brasa do idealismo.
Vestia as sandálias altas, pesadas, feitas para esmagar e a arma daquela luta fria, por uma guerra sem nome, sem idealismos, sem palavras e sem companhia era a baixa e manjada sedução.
Os olhos profundos e óbvios, a auto-suficiência, a liberdade de caminhar sem medos antigos de mulher, as sandálias, o valor que vinha das ruas, que vinha do desenquadramento, da repugnância do sistema. E a posição assumida era a única que restava, a de quem não entrega os pontos só porque simplesmente não cabe, mas se cala com a boca. Fala-se com a sandália esmagadora e os olhos de bruxa, joga-se o jogo sujo que o resultado são várias cusparadas simbólicas.
E ao ver as faces lavadas virarem súditos, sorri internamente a risada dos séculos.
Desta vez nem tanto choro, nem dó de mim, nem desespero ou arrependimentos, nem mal dizeres, energia para vingança, começar tudo de novo, nem muito álcool ou grandes desabafos, não muita sensação de suicídio estrangulada na própria goela pelo dado e não recebido. Não divisão de papéis. explicações filosóficas ou psicológicas, não torturas ou grandes saudades, saudosismo de um presente que acaba de se tornar passado. Não consolo, não acalmar o coração e a mente dizendo as injustiças alheias, a falta de amor e a frieza egoísta. Desta vez menos reações. Mas a cirurgia foi a mesma. É que agora sobrevivo melhor aos grandes rombos. Pra onde é que isso foi?
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