sexta-feira, 29 de julho de 2011

Já pensou

Já pensou, aqui a gente construía nosso castelo de barro e pedras,decorava com cristal e grão de café. Colocava uma bandeira no topo que dizia o nosso reinado. a gente fazia uma passagem subterrânea que levava até o nosso esconderijo onde estavam as coisas que só nós sabíamos. fazíamos um buraco do lado do castelo e colocávamos água limpa para os peixes e uma ponte pra ficar mais bonito de se ver. daria pra plantar rosas em volta e a gente usaria as que fossem morrendo para fazer perfumes e cada perfume seria único, porque a gente misturava com um pouco de terra e mato e um pouco de florzinha amarela do campo e nunca saberíamos como fazer a mesma receita do mesmo jeito de novo. E a gente vendia numa tenda de bambu na frente do castelo, junto com cristais que a gente pegou na cachoeira e seriamos ricos! daria pra comprar casas e terras e um monte de cavalos para todas as crianças que iriam morar nas nossas casas e terras. quando o dia estivesse chato a gente andaria de avião, cada roda de carvão desenhada no chão seria um assento, se precisava a gente colocava mais um pros amigos que podiam querer vir junto. E a gente viajava admirando as paisagens, conhecíamos todos os países, os reais e os inventados. Mas quando a gente queria chegar rápido mesmo e não estava preocupado em admirar o mundo a gente ia de bicicleta mesmo.
Já pensou, a gente nos dias de festas, se vestia de bicho, inventava histórias, contava das nossas viagens no palco e chamava a vizinhança pra assistir nossas danças. As caixas do quintal eram boas pro palco, a gente pintava de azul. E pegava as fitas de música do pai, ensaiava uma semana, criava árvores de papelão daquelas que a gente só viu no Japão, a gente podia também usar a tinta preta pra puxar os olhos e também a vermelha pra vestir de índio.

(inacabado)

Um comentário:

  1. Podia cantar com a voz do outro. E esquecer a nossa propria melodia. podia jogar cartas a noite inteira, um jogando truco o outro canastra na mesma mesa. Podiamos sentir a solidão de sermos curingas juntos que se adaptam a qualquer jogo mas não faz parte de nenhum. podiamos ser Ases ou Damas de ouro. Podiamos criar nossas proprias verdades. Andar a cavalo com quem se ama onde não sabe porque ir. E inventar motivos no mesmo momento. agente podia plantar arroz para comer com os cogumelos que brotam na parte do castelo que o sol porque mais que se esforça não consegue tocar. agente podia inventar que precisamos de trabalho agente podia plantar uma cereja dentro de um bombom, para nascerem trufas. Agente podia desejar a dor e por deseja-lá ela nunca existir.

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