domingo, 9 de dezembro de 2012
Acho que nasci para cultivar outros jardins, e não para esperar que cuidem do meu.
Acho que deveria parar de sentar no degrau da porta do quintal esperando que venham plantar por aqui. Deveria deixar de aguardar o recebimento das flores que nasceram nas árvores tão bem a(m)paradas e adubadas por mim, ou dos frutos maduros, derrubados com a naturalidade do deixar-ser. Deveria aceitar que minha função continua sendo a mesma, a de distribuir mudas, amaciar terrenos, ajudar o crescimento alheio. E apenas essa função. E meu jardim? ele também nasce, é mais forte, rústico, se vira com as chuvas escassas que Deus dá, é bonito também. deveria aceitar ser em si e se dar sem receber.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
¨E onde está a felicidade?¨ era melhor perguntar-se ¨onde está a velha felicidade?¨. Nao buscava a felicidade genérica, estandardizada, ou sequer tinha alguma ideia do que poderia ser felicidade nesse sentido. Buscar é idealizar o nunca antes vivido. Nao queria buscar, apenas procurava a felicidade, como quem procura o retrato em branco e preto trancafiado a mil chaves na gaveta da escrivaninha antiga da casa da bisavó, já doada para algum co-parente dos tempos da ditadura militar. Busca-se o que nunca se viveu. Procura-se o que se perdeu. Neste momento, procura-se o velho, nao busca-se o novo. algo se perdeu...
Perdeu-se a fórmula? Parecia que nao, estavam ali todos os mesmos ingredientes: pessoas, lugares, caminhos, rotina.... Parecia....
Mas notava, é possível reviver lugares, mas nao há como reviver tempos. E a fórmula desandou com o passar do tempo. A formula nao desandou, o tempo passou e eu desandei e isso tudo já nao faz mas sentido. Entao, a velha felicidade está aqui? eu é que....
no auge de seus 12 anos
terça-feira, 24 de julho de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
Fui me cortando aos poucos, alvejando meus defeitos que talvez atrapalhassem tanto a essas pessoas ao redor que me amam e que me queriam com todos aqueles poréns. e fui tirando tantos ingredientes que acho que a receita desandou e cortei as raízes do que eu era. agora sou um resto. Mais perfeita, mas menos saborosa.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Vou por alí, pelo caminho sem setas, sem incicações nem chamados
Vou, não tanto porque meus pés necessitam caminhar, mas porque é preciso deixar
Vou por alí onde não escuto ecos de certezas e onde não me verto a explorar a terra até o completo esgotamento
Porque é antes melhor não safrar a terra até o esgotamento e continuar partindo antes do fim.
A necessidade de ir é a necessidade de renascer, sem frutos, mas mesmo assim fértil. Os frutos morrem, a fertilidade há de permanecer
Vou, para deixar a morte em paz
e continuo indo, mesmo com pés calejados
e indo por alí: terra de barrancos, de pedras, inexplorada, seguindo o vento sul
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Devia ter conservado a risada fácil, a dose de pinga, o excesso de cerveja, a línguica e o churrasquinho temperado. Devia ter casado cedo, tido tres filhos até os trinta, crescido a barriga, enchido a casa de bugigangas e brinquedos e o quintal de flores, agora já grandes. Ter mantido uma consciencia simples. Deveia ter aprendido muito bem sobre um mundo, estar já familiarizada, bem instalada em todos os sentidos, deixado a visao olhar para horizontes próximos e acolhedores. Devia já saber todos os passos dos caminhos óbvios ao meu redor. Deveria ser já PHd nas terras de minha origem. Mas preferi ser uma eterna universitária de várias terras. ....
Assinar:
Postagens (Atom)
